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Tema

A Esperança Equilibrista

 

 

O nome do evento, “A esperança equilibrista”, faz referência à música “O bêbado e a equilibrista”, escrita por João Bosco e Aldir Blanc e imortalizada na voz de Elis Regina. A música foi escrita em 1979, momento em que se acirravam as pressões pelo fim da ditadura militar brasileira, tornando-se, como colocado por Elis, um hino da anistia no período final do regime. O “bêbado” é a referência a Charles Chaplin, o qual simboliza a classe artística, que, em tese, representaria a liberdade, porém no momento está sendo reprimida e, por isso, está “trajando luto”. Já, a equilibrista representa a esperança, ainda que tênue, de termos um governo democrático no Brasil e, com isso, recuperarmos a nossa liberdade de expressão, já que ela sabe que “o show de todo artista tem que continuar”.

 

Dessa forma, vemos que há consonância entre o momento em que a música foi escrita e o momento atual brasileiro. Há, hoje, uma repressão crescente, não só na camada artística, mas também nos movimentos políticos, dentro e fora das universidades. Um exemplo disso foram as invasões em universidades públicas brasileiras que se posicionaram contrariamente à ameaça de termos um governo neofascista, mesmo que eleito democraticamente.

 

Porém, frente a esse cenário de desesperança e vislumbre de perdas de direitos conquistados antes do início e, principalmente, depois do fim da ditadura militar brasileira, temos, como movimento estudantil, de manter nossa esperança, mesmo que ela cambaleie e tenha que se equilibrar. Juntamente com isso, vemos a necessidade de nos unirmos, para que possamos nos formar para compormos um movimento uníssono e forte, tanto contra as ameaças ao nosso regime democrático, quanto na defesa das populações mais vulneráveis, como negros, mulheres e LGBT+. Da mesma forma que a música serviu para unir a população para pressionar pela anistia, pretendemos que nosso evento una o movimento estudantil a fim de que lutemos juntos pela manutenção de nossa democracia, tão bem defendida pelo movimento artístico característico do período militar.

 

Como disse Elis: “Agora temos um hino, e quem tem um hino faz uma revolução.”. Assim, buscaremos juntos, nesse evento, por um novo hino, uma nova diretriz, novas informações e novos caminhos, para que possamos construir o alicerce de nossa luta. Nesse contexto, a frase de Carlos Mariguella resume o que pretendemos tirar de conclusão de nosso evento: “A única luta que se perde é aquela que se abandona”.

 

Ninguém solta a mão de ninguém.

 

 

 

(…)

 

Mas sei que uma dor assim pungente
Não há de ser inutilmente
A esperança
Dança na corda bamba de sombrinha
E em cada passo dessa linha
Pode se machucar

 

Azar!
A esperança equilibrista
Sabe que o show de todo artista
Tem que continuar