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O trote machista e o assédio na Faculdade

O trote é um ambiente propício para inúmeros tipos de violência no ambiente universitário, sendo o machismo uma das ferramentas utilizadas pelo trotistas para introduzir os calouros e calouras a uma cadeia de poder hierárquica, impor valores conservadores e oprimir, sobretudo, as mulheres recém-aprovadas no vestibular. O machismo é uma forma de opressão e exploração, que coloca o gênero feminino como submisso em benefício dos homens. Para afirmar essa desigualdade, criam-se ideologias que assumem que a mulher é inferior ao homem (mais desequilibrada, frágil, dependente, um objeto sexual de intelectualidade rasa) e por isso deve servir e estar a disposição dele. Tais estereótipos de gênero são reforçados tanto de maneira escancarada, por meio do abuso sexual e moral, mas também de maneira velada por uma roupagem de brincadeira e naturalização da violência nos ambientes trotistas.

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Trote: o mito do rito de passagem em desconstrução

A aprovação no vestibular é, muitas vezes, o ponto final de um doloroso processo de esforço e dedicação que é a preparação para as provas que dão acesso ao ensino superior. Para muitas pessoas, a aprovação não significa apenas o início da faculdade e o pontapé inicial de uma carreira profissional, mas também o início da vida adulta. Esse processo de transição, entretanto, não está imune às dinâmicas de poder que disputam seu significado e propósito.

Ao longo da História das Universidades, a correlação de forças no âmago deste processo pendeu ao estabelecimento do Trote enquanto forma hegemônica de introdução do calouro ao contexto universitário. Ou seja, o trote apresenta-se hoje – falaciosamente – como a única forma dos novos estudantes interagirem com seus colegas veteranos. Entre os gestos que compõem o trote estão a desqualificação e a extirpação da identidade dos calouros e calouras, por meio de apelidos (que com frequência miram a sexualidade, etnia ou algum traço de aparência física); bem como sua violência física, moral, psicológica e sexual, incluindo a mobilização do calouro para atividades compulsórias, exposição ao ridículo, humilhação e constrangimento público e, evidentemente, ostracização daqueles que se negam a fazer parte dessa “recepção”.

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