Emenda conquistada por estudantes e trabalhadores é engavetada por base de Alckmin

Nesta quarta-feira, 27/12, a ALESP votou o Orçamento do ano de 2018. Junto ao orçamento, foi votada a emenda ao orçamento, conquistada após as Mobilizações Conjuntas dos Trabalhadores e Estudantes em outubro, e formalmente proposta pelo Dep. Carlos Gianazzi (PSOL) que previa orçamento extra de R$100 milhões para a Faculdade de Medicina de Marília, incluindo o Hospital das Clínicas da FAMEMA. Muito embora o orçamento tenha sido aprovado com facilidade pela base aliada do Governo Geraldo Alckmin (PSDB), pré-candidato a presidência da república, a emenda proposta por Gianazzi foi rejeitada.

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Direçao presta esclarecimentos na ALESP

A direção da FAMEMA, representada na figura de seu diretor geral Prof. Dr. Valdeir, compareceu à ALESP após convite da Comissão de Educação, à pedido do Dep. Carlos Gianazzi, para dar esclarecimentos.

É fundamental retomar que todo esse acontecimento é fruto de muita luta dentro do movimento estudantil, o qual foi responsável por levar estudantes e funcionários da FAMEMA à ALESP em outubro de 2017 de modo a fazer com que os olhares pudessem ser redirecionados novamente à nossa Faculdade e que fosse reconhecida sua devida importância na região do estado de São Paulo.

Entre os questionamentos, foram colocadas as ameaças que os envolvidos no processo de luta por mais verba para a faculdade sofrem da direção e seu aparato burocrático. Direta ou indiretamente, são inúmeros os casos relatados de coação ou constrangimento nos corredores do HC e da Faculdade, tanto por alunos quanto por funcionários.

O diretor disse se sentir constrangido com esse tipo de acusação. E a promessa que ficou foi: que esse tipo de coisa nunca mais ocorra.

O DACA gostaria de salientar a importância da ocorrência de reuniões e repasses entre a Direção e os discentes para que os apontamentos e discussões sejam sempre feitos nos espaços destinados a isso. Além disso, continuaremos contando com a colaboração da direção para proporcionar tais momentos de diálogo com estudantes e funcionários.

Inscrições para o Cursinho Popular em 2018

A Coordenação do Cursinho Pré-Vestibular Popular da Faculdade de Medicina de Marília faz saber que as inscrições para o Processo Seletivo 2018 começarão a partir do dia 02 de janeiro de 2018 e se estenderão até às 18 horas do dia 31 de janeiro de 2018.

A inscrição para o Processo Seletivo CP-FAMEMA 2018 será realizada EXCLUSIVAMENTE pela internet, no período divulgado, através deste site. Antes de se inscrever, leia atentamente o edital do processo seletivo.

O Cursinho popular pré-vestibular da FAMEMA foi criado em 2004 pelos estudantes do curso de Medicina da Faculdade de Medicina de Marília como um projeto de extensão do Diretório acadêmico Christiano Altenfelder (DACA). O objetivo do projeto é oferecer ensino de cunho pré-vestibular para alunos de baixa renda, dando-lhes todo auxílio possível na preparação para os diversos processos seletivos de instituições de ensino superior, promovendo, dessa forma, a inclusão social e o ingresso do aluno carente em Universidades/Faculdades públicas. O projeto é totalmente sem fins lucrativos. Não conta com nenhum tipo de financiamento e seus participantes também não são remunerados.

O trote machista e o assédio na Faculdade

O trote é um ambiente propício para inúmeros tipos de violência no ambiente universitário, sendo o machismo uma das ferramentas utilizadas pelo trotistas para introduzir os calouros e calouras a uma cadeia de poder hierárquica, impor valores conservadores e oprimir, sobretudo, as mulheres recém-aprovadas no vestibular. O machismo é uma forma de opressão e exploração, que coloca o gênero feminino como submisso em benefício dos homens. Para afirmar essa desigualdade, criam-se ideologias que assumem que a mulher é inferior ao homem (mais desequilibrada, frágil, dependente, um objeto sexual de intelectualidade rasa) e por isso deve servir e estar a disposição dele. Tais estereótipos de gênero são reforçados tanto de maneira escancarada, por meio do abuso sexual e moral, mas também de maneira velada por uma roupagem de brincadeira e naturalização da violência nos ambientes trotistas.

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Trote: o mito do rito de passagem em desconstrução

A aprovação no vestibular é, muitas vezes, o ponto final de um doloroso processo de esforço e dedicação que é a preparação para as provas que dão acesso ao ensino superior. Para muitas pessoas, a aprovação não significa apenas o início da faculdade e o pontapé inicial de uma carreira profissional, mas também o início da vida adulta. Esse processo de transição, entretanto, não está imune às dinâmicas de poder que disputam seu significado e propósito.

Ao longo da História das Universidades, a correlação de forças no âmago deste processo pendeu ao estabelecimento do Trote enquanto forma hegemônica de introdução do calouro ao contexto universitário. Ou seja, o trote apresenta-se hoje – falaciosamente – como a única forma dos novos estudantes interagirem com seus colegas veteranos. Entre os gestos que compõem o trote estão a desqualificação e a extirpação da identidade dos calouros e calouras, por meio de apelidos (que com frequência miram a sexualidade, etnia ou algum traço de aparência física); bem como sua violência física, moral, psicológica e sexual, incluindo a mobilização do calouro para atividades compulsórias, exposição ao ridículo, humilhação e constrangimento público e, evidentemente, ostracização daqueles que se negam a fazer parte dessa “recepção”.

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