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Nota Política: O Campus de Papel

Poucas coisas interessam mais à academia da FAMEMA que um campus. Uma das poucas faculdades públicas que tem toda sua infraestrutura alugada, a instituição – desde sua estadualização – pleiteia junto ao estado de São Paulo por uma sede própria. Um cantinho para chamar de seu.

Os alunos sentem a falta de um campus na pele quando não tem acesso à laboratórios minimamente equipados, os poucos que temos se mantém abertos pelo heróico esforço dos professores das cadeiras básicas. Sentem falta quando não tem a mínima infraestrutura à disposição para funcionamento das ligas acadêmicas. Sentem quando não dispões de centro poliesportivo para treinar, ainda que tenham que dizer a seus pacientes que a atividade física é essencial. Fica nítido para todos que chegam à FAMEMA que um campus não é só essencial, como nos tiraria da situação de total ostracismo dentro do sistema educacional.

Um assunto com essa profundidade, com essa importância, não poderia jamais ser tratado pela direção da faculdade com intuitos mesquinhos, quase como que para desviar o foco da crise catastrófica que toma conta da saúde pública brasileira e da própria FAMEMA. Mas é isso que faz parecer quando apresenta informações opostas em reuniões de cúpula das autarquias mais importantes do complexo.

No início do mês, em reunião agendada para outro tema não relacionado, o presidente da FAMAR espalhou o rumor de que havíamos conseguido um campus junto ao governo. Apresentou-se o projeto em 3D para um grupo de alunos tentando fazer com que aqueles discentes espalhassem as boas novas. Imediatamente a própria página oficial da FAMAR publicou o projeto, claro que sem nenhum tipo de diálogo com os professores, alunos e funcionários sobre nossas necessidades.

Tudo por cima, como sempre. O projeto sequer contava com centro poliesportivo, uma demanda da comunidade há meio século. Decidimos por aguardar novas informações.

Semana passada, em reunião da Congregação (órgão máximo de deliberação da FAMEMA), nosso representante pediu mais informações sobre o campus anunciado como certo pelo representante da FAMAR, a fundação que determina todos os fins do dinheiro destinado à faculdade e ao hospital. A resposta: não há qualquer perspectiva desse campus. O projeto é apenas para ambulatórios e o dinheiro só pode ser gasto com a assistência.

O diálogo impera na velha-nova gestão do Hospital das Clínicas da FAMEMA. O diálogo de bastidores, a portas fechadas, com os políticos que infestam as denúncias de corrupção de nosso sistema político-partidário podre. Para a comunidade, aqueles que constroem a faculdade todos os dias, a desinformação para que se mantenham longe dos assuntos que realmente importam.

O movimento estudantil da FAMEMA jamais baixou a guarda, jamais se rendeu ou se vendeu. Dessa vez não será diferente. Queremos um projeto de campus amplamente discutido com estudantes, funcionários e professores. Não fazemos questão do jardim suspenso ou do espelho d’água. Queremos um projeto de FAMEMA para todos.

Chamamos todos que lutam pelo mesmo objetivo que cerrem fileiras conosco. Não temos mais nada a perder e temos um mundo a ganhar.

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