Cotas para quem?

No ano de 2014, a FAMEMA adotou o Programa de Inclusão com Mérito no Ensino Superior Público Paulista (PIMESP), que prevê a reserva de 15% das vagas para alunos que cursaram integralmente o Ensino Fundamental e Médio em Escolas Públicas (EP), e, dentro destes 15%, a reserva de 35% para alunos que se autodeclaram como Pretos, Pardos ou Indígenas (EP PPI). Esta porcentagem representa doze vagas PIMESP no curso de medicina e 6 no de enfermagem. Caso não haja alunos para preencher tais vagas, as mesmas são transferidas para a ampla concorrência.

O PIMESP, quando apresentado por Geraldo Alckimin, previa a reserva de 35% das vagas para alunos oriundos de escolas públicas em 2014, sofrendo aumento gradual até representar 50% das vagas em 2016. A FAMEMA, desde sua implantação, reserva apenas 15% das vagas.

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É possível encontrar no edital de inscrição para o vestibular a informação de que o aluno concorrente ao PIMESP só será considerado apto à vaga caso obtenha uma pontuação mínima equivalente a 90% da nota do primeiro colocado, no caso da medicina, e 70%, no caso da enfermagem. Entretanto, não é especificado em momento algum que caso não haja alunos “aptos” o suficiente em um curso, as vagas PIMESP podem ser transferidas para o outro.

Na última quinta-feira, 11/02/2016, fora revelada a primeira lista de aprovados no vestibular 2016 da FAMEMA. Para a surpresa de todos, dos oitenta alunos de medicina, apenas dois são cotistas do PIMESP, enquanto no curso de enfermagem, dos quarenta alunos, onze são cotistas do PIMESP.

O objetivo fundamental das cotas, sejam sociais ou raciais, é promover a inclusão, de alunos necessitados de alguma maneira, em todos os cursos superiores. Não é o que se constatou no último vestibular da FAMEMA, pelo contrário, ao invés de serem inclusos, os alunos cotistas foram segregados, uma vez que a maioria gritante das vagas referentes a cotas foram transferidas para o curso de enfermagem.

A necessidade de nota mínima para que os alunos cotistas sejam considerados aptos é contraditória à política de inclusão, pois requer que o aluno cotista, com toda a desigualdade enfrentada, obtenha um resultado semelhante ao primeiro colocado geral, em uma prova mecanicista, que avalia de modo duvidável as capacidades intelectuais do aluno. Além disso, a faculdade nem mesmo se nega a esconder o protecionismo elitista existente no curso de medicina quando exige dos cotistas da medicina a porcentagem de 90% da nota do primeiro colocado e para o curso de enfermagem 70%.

O diretório acadêmico Cristiano Altenfelder repudia o modo como as cotas são aplicadas na FAMEMA.

1 Comentário

  1. Sandra Sandra
    15 de fevereiro de 2016    

    Concordo plenamente!! Acho um absurdo exigir a nota.Deveria ser em escala da maior nota para a menor até preencher o numero de vagas reservadas..

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