Bem vindos à Famema

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Aos calouros da turma XLVIII parabéns pela aprovação, pela conquista! Quanto sangue e suor para chegar até aqui! Quanta felicidade ao percorrer a lista de aprovados e encontrar seu nome brilhando, ofuscando todos os outros, acabando com o tormento de mais um ano! Chega de professores repetindo a mesma piada ensaiada! Chega de passar todos os dias do ano estudando e estudando e, nas horas vagas, só pra variar, estudando de novo! Chega de ouvir seu colega de cursinho dizer como ele mandou bem no simulado, quando você nem mandou tão bem assim! Chega de ler e reler as mesmas velhas apostilas, os mesmos velhos clássicos literários, e tudo a base do esforço, do chicote dos avaliadores! Um fim a técnica redacional e às zinguebilhões de fórmulas assombrando o seu sono! Um fim aos malditos simulados! Um basta aoVestibular, às horas a fio que passamos olhando para aquele calhamaço de folhas que parecem nunca acabar! Diga comigo, bem alto: “ACABOU!”.

Enfim, essa fase obscura da sua vida passou. Mas olhe ao seu redor agora: novos amigos, uma nova cidade (ou não), novos assuntos. Tudo novo, MUITO NOVO! E, de quebra, você deu início à carreira tão ambicionada, a Medicina. Pois agora você é o mais novo Famemense do pedaço! Bem-vindo à vida de graduação! Durante a semana e o ano, você verá como foi bom escolher essa Faculdade e essa cidade para viver os seus próximos seis anos. Mas e aí?! Você conhece um pouco sobre a gente? Digo, sobre a nossa Faculdade? Vou lhe contar uma história. Aconchegue-se, ela é assaz emocionante!

Era uma vez uma terra muito, muito distante da grande capital São Paulo, chamada Marília. Nesse reino foi criada, em 1966, a Faculdade de Medicina de Marília (Famema), por meio de uma lei estadual. Mas somente em 1967, a partir de uma lei municipal, a faculdade passou a exercer sua principal função: formar médicos de excelência.  A faculdade era particular, sua administração dependia das mensalidades. Em 1981, foi criado o curso de enfermagem.

Na década de 80, junto às crises financeiras que assolavam o país e vendo que a situação da Famema também estava delicada, resolveu-se tomar providências. E agora? O que fazer? Temos uma solução? Até que em 1988, os administradores pensaram numa “bela” resposta: aumentar o valor das mensalidades. “Nada mais lógico!” Tudo seria resolvido. Só que não! Havia um movimento na faculdade, rumores se espalhavam… Greve? Quem? Como? Impossível! Foi então que o Movimento estudantil da Famema, representado pelo Diretório Acadêmico Christiano Altenfelder (DACA) resistiu, lutou, gritou, e bradou: “CONTRA O AUMENTO DAS MENSALIDADES!”; “QUEREMOS A ESTADUALIZAÇÃO DA FAMEMA!”, e mais: “QUEREMOS SUA ENCAMPAÇÃO”, e os estudantes fizeram greve de 80 dias!

Em 1994, deu-se a Estadualização; uma  vitória, sim! A Famema passava a ser uma autarquia (ou seja, possuir administração independente, embora tutelada pelo Estado) do Governo do Estado de São Paulo. A Faculdade tornou-se pública, oferecendo gratuitamente os cursos de Medicina e Enfermagem. Não fomos encampados (não nos tornamos “campus” de uma Universidade com estrutura maior –  um assunto que discutiremos logo!), embora ainda travemos essa luta, cada dia mais fortes e mais próximos da conquista.

Enfim, no ano de 1996, o PBL ou ABP (Aprendizagem Baseada em Problemas), uma metodologia ativa que estava sendo usada por escolas médicas do Canadá e da Holanda desde o final da década de 1960, torna-se o método de ensino e aprendizagem da Famema, a pioneira no Brasil. Em 2011, esse tipo de metodologia  segue

como pauta principal e como “menina dos olhos” das novas Diretrizes Curriculares (novos planos de estratégia para a educação) para o curso de Medicina, divulgado pelo MEC (Ministério da Educação).

Apesar dos avanços da Instituição, até hoje, a Famema ainda precisa de mais investimentos, de diversas mudanças. O mesmo Movimento Estudantil de 1988 se mantém, com rostos diferentes, mas as batalhas se repetem: melhorias para a faculdade e seus estudantes, garantias de uma boa formação médica e luta por uma saúde pública e de qualidade!

Em agosto de 2013, os trabalhadores, professores, residentes e estudantes da Famema se uniram para lutar por esses alvos na greve geral da Famema, que durou mais de 50 dias. Foram árduas as batalhas encontradas por esses lutadores, falta de democracia nas decisões, descaso do governo do estado e acusações da grande mídia. Mas muitas foram as conquistas alcançadas por essa luta. Mais livros, contratação de professores, bolsas para estudantes carentes, melhorias no currículo dos cursos de medicina e enfermagem, mais atenção dos governantes e espaços para que a comunidade seja ouvida dentro da instituição. E ainda não foi com o fim da greve que a luta chegou ao fim!

Essa luta cotidiana não ocorre por obrigação ou pressão, sua-se por amor à Famema, grita-se pela sociedade submetida aos futuros profissionais que seremos, briga-se pelo ofício que está por vir. Afinal, sabemos que QUEM AMA, CUIDA! E assim, a Famema e seus estudantes seguem até hoje, não felizes para sempre, como nos contos de fadas. Nunca sabemos o que nos aguarda adiante, mas de uma coisa estamos certos: CONTINUAREMOS LUTANTO! E, agora, fazemos o convite a você, Calouro da Famema, para a luta! Venha também fazer parte da Construção da nossa amada Famema e da nossa tão querida Medicina.

Saudações, Turma XLVIII!

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